
Já foi há dois anos e no entanto o desastre com um rootkit contendo tecnologia de protecção contra a cópia que a Sony BMG inseriu em milhões de CDs continua a ser um marco na história da tumultuosa relação das editoras discográficas com a tecnologia digital pelo facto de milhares de fãs de música em todo o mundo terem reagido ruidosamente quando viram a segurança dos seus computadores comprometida e tentaram sem sucesso reproduzir CDs a partir dos seus computadores.
Na tentativa de compreender as causas por detrás deste incidente, os juristas Aaron Perzanowski e Deirdre Mulligan escreveram um artigo intitulado “A Magnificência do Desastre” a ser publicado em breve no Berkeley Technology Law Journal que faz uma retrospectiva sobre o que realmente se passou de forma a identificar os factores legais, tecnológicos e empresariais que levaram a empresa a tomar esta decisão.
Segundo os autores, este incidente foi muito mais do que um mero caso “de descuido ou desprezo absoluto pela privacidade e segurança do utilizador”, tendo resultado de uma combinação complexa de factores. A explicação mais plausível avançada por eles é que o “a Sony BMG deve ter provavelmente subestimado a reacção pública às ameaças de segurança e privacidade criadas pela sua DRM”.
Sintomático desse ponto de vista é o que o presidente da divisão de música digital da Sony BMG disse pouco tempo depois da divulgação pública da ameaça que o software constituía: “Presumo que a maior parte das pessoas nem sabem sequer o que é um rootkit. Então, porque é que elas se haveriam de preocupar com isso?”
Uma vez que a lei DMCA (Digital Millenium Copyright Act) de 1998 impede a remoção de tecnologias de protecção anti-cópia – daí que sejam poucos os especialistas em segurança que se atrevam a analisar o seu funcionamento -, os autores aconselham a que essa lei seja alterada pelo Congresso dos EUA de modo a prever excepções para fins de pesquisa e de modo a que possam ser distribuídas ferramentas capazes de remover essas restrições tecnológicas.
Apesar de todos os problemas provocados, o incidente com o rootkit da Sony BMG teve pelo menos uma consequência positiva: constituiu um grito de alerta para os consumidores relativamente aos perigos das medidas de protecção tecnológica como a DRM e poderá ter, inclusivamente, contribuído para que as majors EMI e Universal dessem os primeiros passos em direcção à comercialização de música sem DRM em formato MP3.
(via Ars Technica)
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e foi tirada por rich115.
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