Radar Cultura: A Rádio 2.0 que vem do Brasil

by Miguel Caetano on 13 de Dezembro de 2007

Será que a rádio, esse velho meio de comunicação unidireccional e de um para todos pode ser reformado de modo a incorporar os princípios da colaboração e do copyleft da cultura livre? Até há pouco, eu pensava que não e que a rádio estava mesmo condenada a se tornar num mero veículo comercial inundado de publicidade, com informação debitada por um locutor impessoal e uma playlist rígida de músicas ditada pelos executivos da indústria discográfica.

Mas mais uma vez o Brasil parece-me ter surpreendido. Eu já sabia da existência de centenas de rádios comunitárias e livres naquele vasto país lusófono que permitem a participação dos cidadãos na própria programação. Mas muitas dessas estações debatem-se constantemente com problemas legais com as autoridades e não dispõem de recursos para desenvolver uma presença online realmente interactiva.

Esse não parece ser o caso da Rádio Cultura AM, uma estação da Fundação Padre Anchieta que na próxima segunda-feira, dia 17, irá lançar o projecto colaborativo Radar Cultura que irá funcionar como um espaço online aberto à participação dos ouvintes que poderão comentar sobre a programação, sugerir músicas e enviar notícias ou podcasts autoproduzidos.

Os conteúdos serão avaliados pela comunidade de utilizadores segundo um modelo semelhante a outros sites da Web 2.0 como o Digg, DoMelhor e Overmundo: os mais votados passam para a primeira página. De início este material será utilizado como base de um programa de duas horas diárias mas o objectivo é fazer com que toda a programação da Rádio Cultura AM resulte da participação colaborativa dos ouvintes.

O que é mais interessante é que os textos e gravações enviadas para o site serão publicados segundo uma licença Creative Commons. De realçar que a Rádio Cultura AM só passa exclusivamente música popular brasileira. Os responsáveis pela implementação deste modelo de Rádio 2.0 são Juliano Spyer, autor de Conectado – um livro sobre o impacto da Web Social na forma como produzimos e consumimos os media – e André Avorio da Agência de comunicação online Blaz.

Daqui de Portugal eu desejo-lhes desde já muito sucesso para esta tentativa de reinvenção do suporte rádio. Talvez afinal ainda haja razão para ter alguma esperança para este meio de comunicação secular.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e foi tirada por fatcontroller.

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