Na altura da publicação do “acordo Olivennes” uma das críticas levantadas foi o facto do documento não ter contado com a participação de representantes dos consumidores e dos internautas. Percebe-se agora porquê: a opinião popular está contra as propostas sugeridas aos legisladores franceses no sentido de combater a pirataria. Uma sondagem realizada pelo Instituto CSA e o Gabinete NPA Conseil dá conta de que 49 por cento dos franceses com idade superior a 15 anos opõe-se à suspensão da ligação de banda larga dos utilizadores acusados de partilharem ilegalmente obras protegidas pelo direito de autor.
Segundo o mesmo estudo, apenas 40 por cento dos inquiridos são favoráveis a essa medida; os restantes não têm uma opinião formada. A percentagem de rejeição da suspensão é ainda maior junto dos jovens entre 15 e 24 anos (60%). Os resultados já não são tão optimistas para o lado da comunidade P2P quando se pergunta se será possível no futuro combater os descarregamentos ilegais na Internet: 56 por cento respondem favoravelmente a essa questão. Essa percentagem desce para os 50 por cento no caso dos indivíduos entre 15 e 24 anos.
Por outro lado, apenas um quarto (24%) afirma estar preocupado com a actualidade ligada aos downloads via Internet. Essa percentagem sobe para os 47 por cento no caso dos inquiridos entre os 15 e os 24 anos. Outro dado a salientar é que 32 por cento disse ter tido conhecimento da missão Olivennes e do acordo final a que deu origem. Seria, contudo, mais importante saber qual o efectivo grau de conhecimento dos inquiridos em relação ao conteúdo do acordo.
Embora as conclusões desta sondagem não sejam particularmente hostis às propostas avançadas pela missão presidida pelo patrão da FNAC, pode-se concluir que a política beligerante e agressiva preconizada nesse documento não vai de encontro às expectativas dos franceses. Seria talvez recomendado que os representantes portugueses da indústria de entretenimento tivessem em atenção estas conclusões antes de avançarem com recomendações que apenas se limitam a imitar o que vem de fora como se fosse a cura para todos os males. Mais ainda, convém notar que há uma nova geração mais desperta para o que está realmente em causa neste debate sobre a partilha de ficheiros que não se deixa enganar com uma retórica falaciosa.
(via Ratiatum)
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