Perspectivas negras para as vendas de gravações de música até 2011

by Miguel Caetano on 15 de Novembro de 2007

Parece que toda a gente está a comprar menos música registada em disco. Segundo as previsões que constam de um estudo divulgado ontem pela empresa de estudos de mercado eMarketer, as despesas mundiais com música gravada deverão descer de 31,8 mil milhões de dólares (21,75 mil milhões de euros) em 2006 para 26,2 mil milhões de dólares (14,78 mil milhões de euros) em 2011: um tombo de 5,6 mil milhões de dólares (3,83 mil milhões de euros) , correspondente a uma descida de 15 por cento. E isto já tendo em conta o crescimento dos downloads legais.

Estas e outras fontes de receitas como os toques de telemóveis, serviços de subscrição para a Internet e telemóveis “muito simplesmente, não são suficientes para compensar a enorme queda nas vendas de CDs”, refere Paulo Verna, analista sénior da eMarketer e autor do relatório. A situação não parece ser menos sombria no que se refere aos Estados Unidos, onde as gravações de música deverão descer 2,2 mil milhões de dólares (1,50 mil milhões de euros) de 2006 a 2011.

Contudo, é preciso salientar que estes números não abrangem todas as receitas adicionais do negócio da música como concertos, merchandising e licenças de exploração. Se esse fosse o caso, é bastante provável que o cenário perspectivado fosse completamente diferente, a julgar pelo balanço feito por Chris Anderson há menos de um mês que apontava para um crescimento de todas as fontes de receitas adicionais.

Para além dos títulos digitais (+46%), dos toques de telemóvel (+86% no ano passado) e dos singles em vinil (duas vezes mais no Reino Unido), o autor do livro A Cauda Longa refere também a subida dos concertos e do merchandising (4%), das licenças para anúncios, programas de televisão, filmes e videojogos (mais 20 milhões de dólares para a Warner Music no último ano). Finalmente, um aspecto bastante importante que Anderson não ignora é o esperado crescimento das vendas de iPods. A esta lista podia-se ainda acrescentar as vendas de instrumentos musicais.

Não admira por isso que as grandes editoras discográficas tenham nos últimos tempos tentado impingir um novo tipo de contratos com os artistas de modo a também ficarem com uma parte dessas receitas que até aqui não passavam pelas suas mãos. Mas tendo em conta as oportunidades de promoção que a Internet e as redes sociais oferecem, penso que a decisão mais sábia para os artistas é resistir ao máximo a essas tentativas de controlo, sob pena de se virem a arrepender seriamente mais tarde por se terem deixado cair na “toca do lobo”.

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