Patrão da Warner Music aos operadores móveis: “Não façam como nós e processem os vossos clientes”

by Miguel Caetano on 15 de Novembro de 2007

Finalmente depois de ter levado a sua empresa a meter os dois pés na poça e a afundar-se literalmente nela, o co-proprietário e presidente da Warner Music Edgar Bronfman parece começar lentamente a admitir os erros admitidos nos últimos anos pela sua companhia discográfica, bem como pela indústria discográfica como um todo.

De acordo com a Mac User, Bronfman teceu alguns comentários durante uma conferência dedicada à indústria das telecomunicações móveis em Macau sobre o modo como as empresas do sector de música demoraram muito tempo a fingir que o seu modelo de negócio não estava em risco, tendo optado por perseguir os consumidores e aconselhou as operadoras móveis a não fazerem o mesmo:

Costumávamos pensar que o nosso conteúdo era perfeito tal como era fornecido. Esperávamos que o nosso negócio não acabasse por ser afectado pela explosão do mundo da interactividade, ligação permanente e partilha de ficheiros. Obviamente que estávamos errados.

Porquê? Porque ao permanecemos imóveis ou movemo-nos a um ritmo glacial, acabámos involuntariamente por entrar em guerra com os consumidores ao recusar-lhes aquilo que eles queriam e poderiam encontrar noutros lados. O resultado óbvio disso é que os consumidores venceram.

Uma confissão sentida e honesta vinda de quem passou anos a fio a liderar uma perseguição a centenas de milhares de apreciadores de música em todo o mundo. O que é mais hilariante é que apesar da Warner continuar a recusar-se a vender música sem DRM, Bronfman se ache no direito de dar algumas lições às empresas de telemóveis:

A maior parte daquilo que é oferecido hoje em dia aos consumidores nas plataformas móveis é chato, banal e básico. As pessoas querem uma forma mais interessante de conteúdos móveis de música. Elas querem que seja facilmente adquirido com um único clique – sim, um único clique e não uma dúzia. E elas querem um acesso fácil e rápido. onde quer que estejam e a qualquer hora.

Quem o viu e quem o vê: o patrão da Warner Music foi dos poucos que defendeu o modelo da DRM quando Steve Jobs divulgou a sua carta aberta dirigida às quatro grandes editoras discográficas. Aliás, a sua companhia recentemente ameaçou renegociar mensalmente o seu contrato com o iTunes da Apple. Nesta conferência, Bronfman não hesitou em tecer grandes loas ao serviço da Apple na medida em que permite vender albuns completos juntamente com vídeos, toques de telemóvel e outras formas de valor acrescentado. Palavras para quê? A esquizofrenia/hipocrisia abunda na indústria discográfica…

Nota: a imagem que acompanha este post está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-SA 2.0 e foi tirada por spcoon.

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Warner Music: 2007 foi um ano mau, 2008 poderá ser ainda pior :: Remixtures
1 de Dezembro de 2007 às 0:34

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1 Filipe Marques 15 de Novembro de 2007 às 17:15

Este tipo é formidável…

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