As autoridades europeias estão a deixar-se submeter à vontade das entidades representantes dos detentores de direito e desataram a fechar trackers e sites de BitTorrent um pouco por todo o Velho Continente: Portugal, Holanda, Hungria, etc. e agora até a pequena e gélida Islândia.
No país de Björk e Sigur Rós, os comissários regionais de polícia acabaram de fechar o Torrent.is, o maior tracker de BitTorrent islandês. Só para terem uma ideia da importância do site, antes de se retirado do ar o número de utilizadores activos era de 26.500. Tendo em conta que de acordo com a Wikipedia a Islândia conta com uma população de mais de 312 mil habitantes, qualquer coisa como 8,5 por cento – quase 10% – da população nacional partilhava regularmente ficheiros entre si a partir do Torrent.is.
Na medida em que o tracker era privado e apenas aceitava utilizadores com endereços IP nacionais de modo a acelerar o tráfego entre os pares, não estarei muito longe da verdade se disser que o encerramento do site assumiu as mesmas proporções que o fecho do BTuga em Portugal.
O caso foi iniciado por quatro organizações de combate à pirataria e a polícia autorizou o pedido de injunção esta segunda-feira. A SMAIS, a filial local da MPAA – o “braço-armado” da indústria do cinema – também queria apreender todo o hardware relacionado com o Torrent.is, mas os agentes de autoridade rejeitaram esse pedido.
Se com o fecho do site o director da SMAIS Snæbjörn Steingrímsson já recebeu ameaças de morte e outras mensagens de ódio pelo correio, então imaginem se a apreensão das máquinas tivesse ocorrido de facto. Este senhor é conhecido por ser um dos principais líderes na luta contra a partilha de ficheiros na Islândia, que a julgar pela dimensão e o peso do Torrent.is, deve ser quase um passatempo nacional…
Parece-me a mim que estas operações todas contra sites de BitTorrent estão gradualmente a dividir os utilizadores de sistemas de partilha de ficheiros em dois grandes grupos: aqueles que recorrem a serviços de alojamento de ficheiros na Web como o Rapidshare, YouSendIt e MegaUpload que concedem acesso imediato aos conteúdos desejados e aqueles que estão dispostos a pagar quantias razoáveis por plataformas que garantem maior segurança, privacidade e anonimato como Usenet, P2P encriptado e outro tipo de darknets privadas de acesso restrito.
(via TorrentFreak)
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