Mais previsões pessimistas, mais más notícias para as editoras discográficas

by Miguel Caetano on 21 de Novembro de 2007

Depois da eMarketer ter prognosticado uma redução das despesas mundiais com gravações de música em 15 por cento para o período entre 2006 e 2011, a JupiterResearch, outra empresa de análise de mercado, acaba de lançar o seu próprio estudo relativo à evolução do sector da música digital nos Estados Unidos entre 2007 e 2012 que também vem carregadinho de más notícias para as companhias discográficas.

O estudo aponta para um crescimento sustentado das vendas de música digital, um aumento que será, no entanto, insuficiente para compensar a descida das vendas de CDs. Segundo a Jupiter, este sector – que abrange downloads legais, toques de telemóveis e serviços de subscrição a pedido – irá subir de 1,3 mil milhões de dólares (875 milhões de euros) em 2007 para 3,4 mil milhões (2,88 mil milhões de euros) em 2012. De acordo com o analista David Card, isto significa que a música digital que representava apenas 9 por cento das despesas dos consumidores norte-americanos com música, irá representar 34 por cento dos gastos em 2012. Mas a principal razão dessa maior representação deve-se ao declínio continuado das vendas de CDs. Para além disso, o volume total de receitas irá diminuir consideravelmente.

Outro factor que contribui para agravar ainda mais o problema é que os serviços de subscrição como o Rhapsody e o Napster irão permanecer no futuro imediato uma oferta destinada a audiências de nichos como fãs de determinados estilos de música. Quanto a mim, isto deve-se pura e simplesmente ao facto de estes serviços não serem de assinatura mas sim de aluguer de música, pois o utilizador perde automaticamente o direito de reproduzir as faixas que descarregou assim que deixa de pagar a subscrição mensal, devido ao facto de utilizarem formatos com DRM como o Windows Media.

Basta que as editoras confiem nos consumidores que o mercado irá crescer. Isso implica necessariamente abandonar todas as restrições tecnológicas, facilitar a gravação para CDs e transferência para iPods e, sobretudo, adoptat formatos abertos ou padrões tecnológicos. Enquanto esse dia não chegar, é evidente que a sangria não irá estancar. Quem é tratado como um deliquente age como um deliquente. Outro ponto importante é que essa oferta deve ser global, isto é, ela deve ter em conta todas as regiões do globo e não apenas a América do Norte, como acontece com os serviços actuais.

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