Depois da eMarketer ter prognosticado uma redução das despesas mundiais com gravações de música em 15 por cento para o período entre 2006 e 2011, a JupiterResearch, outra empresa de análise de mercado, acaba de lançar o seu próprio estudo relativo à evolução do sector da música digital nos Estados Unidos entre 2007 e 2012 que também vem carregadinho de más notícias para as companhias discográficas.
O estudo aponta para um crescimento sustentado das vendas de música digital, um aumento que será, no entanto, insuficiente para compensar a descida das vendas de CDs. Segundo a Jupiter, este sector – que abrange downloads legais, toques de telemóveis e serviços de subscrição a pedido – irá subir de 1,3 mil milhões de dólares (875 milhões de euros) em 2007 para 3,4 mil milhões (2,88 mil milhões de euros) em 2012. De acordo com o analista David Card, isto significa que a música digital que representava apenas 9 por cento das despesas dos consumidores norte-americanos com música, irá representar 34 por cento dos gastos em 2012. Mas a principal razão dessa maior representação deve-se ao declínio continuado das vendas de CDs. Para além disso, o volume total de receitas irá diminuir consideravelmente.
Outro factor que contribui para agravar ainda mais o problema é que os serviços de subscrição como o Rhapsody e o Napster irão permanecer no futuro imediato uma oferta destinada a audiências de nichos como fãs de determinados estilos de música. Quanto a mim, isto deve-se pura e simplesmente ao facto de estes serviços não serem de assinatura mas sim de aluguer de música, pois o utilizador perde automaticamente o direito de reproduzir as faixas que descarregou assim que deixa de pagar a subscrição mensal, devido ao facto de utilizarem formatos com DRM como o Windows Media.
Basta que as editoras confiem nos consumidores que o mercado irá crescer. Isso implica necessariamente abandonar todas as restrições tecnológicas, facilitar a gravação para CDs e transferência para iPods e, sobretudo, adoptat formatos abertos ou padrões tecnológicos. Enquanto esse dia não chegar, é evidente que a sangria não irá estancar. Quem é tratado como um deliquente age como um deliquente. Outro ponto importante é que essa oferta deve ser global, isto é, ela deve ter em conta todas as regiões do globo e não apenas a América do Norte, como acontece com os serviços actuais.
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