Esse é o objectivo de Bill Drummond, o fundador da lendária banda britânica de música electrónica KLF sobre o qual eu já falei aqui. Farto do Muzak e do ruído branco que lhe inundava constantemente os ouvidos, Drummond começou a pensar numa forma de fazer com que as pessoas voltassem a prezar o real valor da música em si, enquanto arte e não como complemento acessório do quotidiano, sempre que viajamos nos transportes públicos ou fazemos jogging ou outra actividade.
Se repararem bem, a música conseguiu imiscuir-se em todas essas actividades como algo secundário – talvez pelo modo como é tão fácil de obter hoje em dia a um custo zero, ainda que de forma ilegal… O problema é que muita dessa música não surge por nossa livre vontade mas como uma invasão e um ataque ao nosso gosto pessoal. É isso que Drummond quer, que a música volte a ter o efeito em nós que tinha antes dos iPods e da utilização massificada de músicas em anúncios televisivos, séries e filmes.
Este é o terceiro ano que o evento No Music Day se realiza e Drummond pretende continuar o projecto até 2009. Num artigo publicado no New York Times, ele conta que escolheu dia 21 porque dia 22 é o dia dedicado a Santa Cecília, a padroeira dos músicos e da música. Até aos anos anteriores, contudo, a iniciativa teve pouca repercussão junto da opinião pública. Mas desta vez as coisas prometem ser ligeiramente diferentes. Isto porque a BBC Radio escocesa comprometeu-se a não passar qualquer música durante a próxima quarta-feira. De acordos com o produtor David McGuinness, não haverá qualquer tipo de música nos intercalares e nos jingles de introdução de notícias. O site de música da estação de rádio também deverá estar indisponível durante todo o dia.
Para espalhar a mensagem as ruas das cidades serão “patrulhadas” por um esquadrão que terá como missão “prender” as pessoas com auscultadores que encontrarem pelo caminho. É claro que se trata apenas de uma brincadeira, mas a mensagem a passar é séria:
Boa sorte para a jornada é o que lhes desejo, pois bem vão precisar. Quanto a mim, infelizmente, não vou poder participar. A música é demasiado importante para mim e para a minha vida de modo a poder renunciar a ela por um dia que seja. Penso que o que importa sobretudo é saber como bloquear todas as influências nefastas exteriores, todo esse ruído branco feito de êxitos Pop descartáveis que nos atormentam o cérebro sempre que deixamos os nosso ouvidos desprevenidos. Nada que uns bons auscultadores e um iPod recheado de músicas dos mais diferentes estilos musicais não consiga resolver. Outro aspecto importante que eu faço questão de respeitar é prezar a música, saber apreciá-la independentemente de qualquer outra actividade de modo a que ela adquire valor por si próprio e não seja um mero complemento. Isso implica saber quando carregar no stop, quando é que o silêncio deve reinar e quando deve ser abafado.
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Não participarei e não achei nada produtiva essa visão. Um dia sem música é como um dia em preto e branco… sem graça pacas… respiro e me alimento de música, e não sou artista, jamais ficaria um dia sem… também sou bastante grandinho para saber que música me faz bem ou mal ou que música faz mal ou bem para o povo que a escuta…