Depois da elegia de DJ Rupture em honra do finado OiNK, o maior tracker de música da história, outro músico veio agora a público admitir que era utilizador do site de BitTorrent. Nada mais natural se tivermos em conta que o frontman dos Nine Inch Nails (NIN) tem vindo desde há alguns anos a exprimir o seu apoio a novas formas de encarar o negócio da música, face às duras realidades da partilha de ficheiros e da música livre/grátis que estas tecnologias permitem.
Ainda na semana passada Reznor anunciou no site dos NIN que decidiu em conjunto com Saul Williams disponibilizar o novo álbum do músico de Hip-Hop através da Internet segundo um modelo semelhante ao dos Radiohead. O álbum, que é produzido pelo próprio Reznor, estará já a partir de amanhã acessível gratuitamente ou a troco de cinco dólares no próprio site de Williams.
Numa entrevista conjunta de Reznor e Williams ao blog Vulture da New York Magazine, Reznor confessa que ele próprio um utilizador do OiNK, explicando em seguida porque é que o OiNK era a melhor alternativa para obter música online. Segundo ele, o tracker não servia apenas para “roubar” pois também funcionava como um local de encontro entre pessoas que adoram música:
Admito que tinha uma conta lá e que o frequentava frequentemente. No fim de contas, o que fazia do OiNK um local formidável era o facto de ser como a maior loja de discos do mundo. Tu encontravas lá praticamente quase tudo o que se pode imaginar e estava lá no formato que querias. Se o OiNK custasse alguma coisa, eu de certeza que teria pago mas não existe um equivalente disso no espaço de comércio a retalho actualmente.
Em relação ao iTunes:
Não me sinto cool quando passo por lá (…) Sinto que estou a ser aldrabado quando o visito e não penso que a oferta deles seja muito boa. DRM, bit rate reduzido, etc. A Amazon tem potencial mas nenhum desses serviços consegue resolver a questão das fugas (leaks) de discos antes da data de lançamento (…) Se a tua banda preferida tem um disco que chegou à Internet antes das lojas, decides escutá-lo ou não escutá-lo? As pessoas naqueles fóruns, elas estão agradecidas à pessoa que fez o upload – ele é visto como um herói. Elas não estão a roubá-lo porque irão ganhar dinheiro com isso; elas estão a roubá-lo porque adoram a banda. Não digo que o OiNK seja moralmente correcto, mas reconheço que existia porque preenchia uma lacuna naquilo que as pessoas pretendem.
Agora só falta Thom Yorke dos Radiohead vir também ele a público confessar que era um utilizador habitual do OiNK. O que não seria nada de admirar, diga-se de passagem. Até acredito que uma boa percentagem dos utilizadores do tracker fossem eles próprios músicos, e não me refiro apenas a independentes…
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