Ao contrário do que muitos responsáveis da indústria discográfica, as redes P2P não são os principais culpados pelo declínio que a indústria discográfica tem vindo a atravessar nos últimos anos, mas sim os downloads legais de singles em lojas online como a do iTunes e os descontos nos preços de venda dos CDs praticados pelas grandes superfícies comerciais.
Estas são as principais conclusões de um relatório confidencial elaborado pela consultora Capgemini a que o The Register teve acesso e que tentou determinar a descida do valor das receitas geradas pela música registada em disco no mercado britânico desde 2004.
Encomendado pelo grupo de trabalho Value Recognition Strategy (“Estratégia de Reconhecimento de Valor”), um organismo criado no Verão passado que integra todos os sectores da indústria musical britânica, o documento refere que apenas 18 por cento das 480 milhões de libras perdidas (689 milhões de euros) em receitas pelo sector do disco na Grã Bretanha podem ser atribuídas à “pirataria”. A grande parte, 368 milhões de libras (528 milhões de euros), ficou a dever-se à transição tecnológica rumo ao digital, em particular a venda de faixas individuais que dantes só poderiam ser adquiridas em conjunto com o CD.
Estes dados vão assim de encontro à hipótese avançada pelo economista Koleman Strumpf, co-autor de um estudo bastante controverso que argumenta que o P2P tem um efeito nulo na redução das vendas de CDs, de que o crescimento dos downloads digitais pagos é o responsável máximo pela redução das vendas. É bastante provável que os consumidores de música que costumavam comprar álbuns inteiros tenham passado a pagar apenas pelo download de uma ou duas faixas, diminuindo na prática a sua despesa de 15-18 euros para 2 euros apenas.
O que não deixa de ser irónico uma vez que foi a Apple que convenceu em 2003 as quatro majors a venderem as músicas em separado, mas é também a empresa que mais tem lucrado – indirectamente – com a partilha ilegal de ficheiros através da venda de leitores portáteis de MP3 cujo espaço em disco não pára de aumentar.
Do mesmo modo, também os descontos praticados a torto e a direito pelos armazéns e hipermercados contribuíram para desvalorizar drasticamente o CD que passou a ser encarado como uma mera rodela de plástico por grande parte dos consumidores.
(via Ratiatum)
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