Em Fevereiro deste ano os economistas Felix Oberholzer-Gee (Universidade de Harvard) e Koleman Strumpf publicaram um estudo no reputado Journal of Political Economy onde procuraram demonstrar através do recurso a métodos estatísticos que a partilha de ficheiros através de redes P2P tinha um efeito insignificante ou mesmo nulo na redução das vendas de discos. O artigo gerou uma onda de regozijo enorme junto da comunidade de P2P, com muitos utilizadores afirmando que tinham passado a comprar mais discos e a ir mais vezes a concertos graças à possibilidade de escutarem previamente as músicas via download ilegal antes de gastarem dinheiro.
Mas antes da publicação da versão final deste artigo já o também economista Stan Liebowitz tinha contestado a validade científica das opções metodológicas tomadas por Oberholze-Gee e Strumpf. Agora, o professor da Escola de Gestão da Universidade de Texas em Dallas, volta à carga num estudo onde examina pormenorizadamente os dados empíricos e pós ter usado os números publicamente disponíveis para replicar os quatro testes realizados pelos seus dois colegas de profissão no sentido de consubstanciar o seu argumento de que o P2P não prejudica as vendas de CDs, conclui que três deles confirmam exactamente o contrário, isto é, que a partilha de ficheiros resulta numa diminuição das vendas – e que o quarto se baseou numa falsa premissa não sendo por isso válido.
Liebowitz também critica Oberlholze-Gee e Strumpf por não apresentarem todas as referências ou citações relativas a estatísticas indicadas no estudo que dão a entender que a descida das vendas registada desde 1999 não é muito importante. O economista refere que já tentou por duas vezes entrar em contacto com os seus colegas mas não obteve qualquer resposta.
Recentemente, Strumpf voltou a repetir o seu argumento de que a partilha de ficheiros não diminui as vendas de discos, tendo inclusivamente avançado como uma das hipóteses alternativas para a prolongada quebra a introdução dos downloads legais pagos como os do iTunes e da Amazon, que permitem que o consumidor poupe dinheiro na compra de um álbum inteiro e passe apenas a comprar as faixas que aprecia mais.
Seja como for, se é inegável que o P2P tem um impacto visível – mesmo que indirecto – na crise da indústria discográfica, também é indesmentível que a indústria musical em geral tem registado um assinalável crescimento, tanto a nível de bilhetes para concertos, como merchadising, contratos de licenciamento, instrumentos musicais, etc. Seria louvável que, ainda que por uma vez, se levasse estes factores em linha de conta da próxima vez que alguém se atrevesse a analisar a correlação ou não entre o aumento dos downloads ilegais via P2P e a crise da venda de música em suporte físico.
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