Descargas ilegais de música aumentam na Espanha

by Miguel Caetano on 5 de Outubro de 2007

EspanhaOs espanhóis gostam mesmo muito de ouvir música. Gostam tanto que esta parece ser a actividade favorita de 87,9 por cento da população, bastante à frente de outros hábitos culturais como ler ou ir ao cinema, de acordo com o Inquérito de Hábitos e Práticas Culturais em Espanha 2006-2007 publicado pelo Ministério da Cultura a 1 de Outubro (comunicado oficial).

Mas para infelicidade das grandes companhias discográficas, o número de adeptos dos downloads ilegais não tem parado de crescer, segundo as conclusões desse mesmo estudo que envolveu entrevistas pormenorizadas a 16 mil pessoas com 15 ou mais anos de idade. Assim, em média 13,1 por cento dos inquiridos – correspondentes 4,9 milhões de pessoas -afirmou ter descarregado gratuitamente música protegida por direitos de autor da Internet , o que representa um grande crescimento face aos 3,6 por cento registados no ano anterior.

Mesmo assim, estes números parecem-me excessivamente reduzidos para uma sociedade tão tecnologicamente evoluída como a espanhola. E a verdade é que não batem muito certo com outros resultados do estudo, como por exemplo: 20,3 por cento afirma ouvir música no computador – cinco vezes mais que os 3,8 por cento estimados na edição anterior do inquérito -, 38,3 por cento diz possuir no seu lar um equipamento capaz de reproduzir MP3s, 28,9 por cento tem um telemóvel com leitor de música e 13,7 por cento refere que utiliza o computador para ver vídeos. O mais natural é que muitos tenham sentido medo ou vergonha de confessar o seu “pecado”…

Em comparação com o crescimento das partilhas ilegais via Internet, a pirataria de CD ou cassetes físicos tem assinalado um declínio, tendo apenas 1,5 por cento dos inquiridos- representativos de 578 mil pessoas – admitido que compraram produtos pirateados em feiras ou pontos de venda ambulante. Na edição anterior deste estudo, a percentagem era de 4,1 por cento.

A principal razão adiantada pelas pessoas que acedem tanto via online como por contrafacção a músicas cuja distribuição não é autorizada pelos detentores de direitos consiste, estava-se mesmo a ver!, no facto de ser mais barato ou mesmo de borla, muito à frente de outras como a comodidade e a rapidez. De realçar que mesmo assim, 22,5 por cento dos inquiridos afirmaram que compraram música no último trimestre, a maior parte deles em estabelecimentos comerciais.

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