Administrador do Oink Libertado; fãs do tracker criam memorial

by Miguel Caetano on 23 de Outubro de 2007

O dia 23 de Outubro foi um dia trágico para toda a comunidade de BitTorrent, em especial os fãs de música que partilhavam álbuns através do Oink, o maior tracker privado do género. De modo a lamentar o encerramento do site pelas forças policiais inglesas e holandesas foi criado o blog 10/23 Never Forget que inclui um comunicado do administrador do site em que este refere que já saiu da prisão e que se encontra em bom estado de saúde.

O blog inclui ainda uma série de notícias, opiniões de ex-utilizadores do tracker, imagens artísticas contribuídas pela comunidade, bem como vídeos. Um deles consiste numa entrevista com o proprietário da NFOrce, a empresa holandesa que alojava os servidores do Oink, em que refere que apenas teve conhecimento de que o site estava envolvido em actividades ilegais há dois meses atrás e que até então pensava que se tratava de um serviço de streaming de vídeo. Com a apreensão das quatro máquinas, a empresa perdeu cerca de 30 mil euros.

Outro vídeo consiste na reportagem televisiva emitida pela BBC a propósito da operação onde se limita – mais uma vez – a citar o comunicado oficial da IFPI. Mas a verdade é que, ao contrário do que indústria discográfica e pela polícia britânica pretende fazer crer, o Oink não era um site com intenções comerciais, pois nem sequer recorria à publicidade. A única fonte de receitas para pagar as elevadas despesas de alojamento e largura de banda eram as doações. Ninguém era forçado a fazer uploads, muito menos uploads de novos discos ainda não disponíveis comercialmente. Os administradores apenas exigiam que os utilizadores cumprissem um rácio entre uploads/downloads.

Para além deste blog está também disponível um canal de IRC #oink na rede Dalnet (irc://dalnet/oink), assim como um fórum onde todos os membros do Oink se podem encontrar e trocar ideias e opiniões ou ir acompanhando todas as novidades a respeito do caso.

Entretanto, muitos ex-utilizadores do Oink ficaram assustados quando poucas horas após o fecho do tracker depararam com uma mensagem publicada pela IFPI e BPI na página inicial em que se refere que se encontra em curso uma investigação criminal destinada a apurar as identidades e actividades dos utilizadores do site. Se é bem verdade que por esta altura todo o cuidado é pouco, também é verdade que apenas os maiores uploaders têm motivos para se sentirem incomodados, dado que é completamente impossível que a indústria discográfica consiga apanhar os mais de 180 mil utilizadores do Oink.

Como refere o TorrentFreak, o mais provável é que os braços armados das majors se concentrem nos utilizadores sediados nos países em que o tracker era mais popular como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Suécia, Alemanha e Holanda. Na verdade, a indústria já tentou usar as mesmas tácticas de medo, incerteza e dúvida noutros casos de encerramento de trackers como o do LokiTorrent, por exemplo, e o resultado é que nenhum dos utilizadores acabou por ser perseguido.

A história das batalhas pela cultura livre tem demonstrado que mais cedo ou mais tarde acaba sempre por surgir outro tracker/site/rede para ocupar o lugar deixado livre com o encerramento ou cooptação de um anterior. Contudo, os mais paranóicos poderão optar por pagar uma pequena mensalidade em troco de maior segurança se recorrerem a serviços de redes virtuais privadas (VPNs), como o VPNTunnel e o Relakks. O irónico é que ao fechar mais um tracker, a IFPI e a BPI acabam indirectamente por fazer com que os fãs de músicas gastem dinheiro com a partilha de músicas, dinheiro esse que poderia muito bem ir para o bolso dos artistas caso as entidades que representam os seus direitos decidissem legalizar o tracker através da criação de um serviço de subscrição mensal.

E para aqueles que ainda têm dúvidas sobre a importância que o Oink tinha adquirido nos últimos anos para a divulgação tanto de artistas novos como de velhos clássicos esquecidos pelo tempo, vale a pena ler este artigo de DJ Rupture:

Oink had everything by certain artists. Literally, everything. I searched for ‘DJ Rupture’ and found every release I’d ever done, from an obscure 7″ on a Swedish label to 320kpbs rips of my first 12″, self-released back in 1999. It was shocking. And reassuring. The big labels want music to equal money, but as much as anything else, music is memory, as priceless and worthless as memory…

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