Starbucks oferece 50 milhões de downloads de músicas do iTunes

by Miguel Caetano on 24 de Setembro de 2007

Quando Steve Jobs anunciou a nova linha de iPods, a Apple também aproveitou para divulgar uma parceria com a Starbucks, a famosa cadeia norte-americana de cafés que parece que chega a todo o lado menos a este canto da Península Ibérica chamado Portugal. Segundo este acordo, a partir de 2 de Outubro os utilizadores de um iPod Touch ou iPhone poderiam aceder à loja online do iTunes a partir de qualquer Starbucks e navegar, pesquisar, ouvir excertos e comprar músicas, inclusivamente aquela que estivesse a passar naquele preciso momento no interior do café, tudo através de uma ligação sem fios à Internet.

De forma a iniciar os seus clientes no hábito/vício de descarregar músicas a 99 cêntimos cada, a Starbucks abriu os bolsos e anunciou que vai oferecer gratuitamente 50 milhões de downloads do iTunes para promover o seu acordo com a Apple. A promoção tem início a 2 de Outubro e prolonga-se até 9 de Novembro, abrangendo todos os dez mil estabelecimentos comerciais da empresa nos Estados Unidos.

Os clientes irão receber cartões-brinde intitulados “música do dia” que darão direito a descarregar a faixa associada até ao final do ano. Entre os artistas seleccionados pela empresa contam-se nomes como Bob Dylan, Joss Stone, Dave Matthews, Bebel Gilberto, Joni Mitchell, Band of Horses e Paul McCartney. Em Março deste ano o ex-Beatle foi o primeiro músico a assinar contrato com a nova companhia discográfica da Starbucks.

Se bem que alguns analistas afirmem que os downloads de música via iTunes nunca irão constituir uma grande fatia do negócio da cadeia de cafés, outros como Patricia Edwards notam que o público-alvo da Starbucks não é tanto o jovem utilizador frenético de redes P2P mas sim indivíduos entre os 30 e os 40 anos com um maior poder de compra e menos familiarizados com a tecnologia que poderão muito bem acabar por aderir aos downloads legais, seguindo o modelo das compras por impulso, como se pode ler no Seattle Post-Intelligencer. E realmente, como Edwards acrescenta, descarregar músicas do iTunes é um vício bastante semelhante ao da cafeína ou outros… Acaba-se sempre por pagar mais do que o preço real do produto.

Ainda a propósito da nova etiqueta da Starbucks, alguns fãs mais “radicais” dos Sonic Youth ficaram escandalizados quando souberam que a banda de rock alternativo iria lançar uma compilação em nome da empresa de cafés. Numa entrevista ao Boston Globe (via Coolfer), Thurston Moore esclarece que a ideia partiu do próprio grupo, na tentativa de fazer com que a Geffen, o seu actual selo, vendesse os seus discos. “Quando estás numa banda como os Sonic Youth que não passa na rádio ou na TV, tu queres que o teu disco seja ouvido pelas pessoas.” Além do mais, como Moore nota, não existe diferença nenhuma entre trabalhar com a Starbucks e com companhias discográficas como a Universal e a Geffen, a subsidiária desta major a que os Sonic já estão ligados desde 1990. De facto, as acusações de “vendido” feitas frequentemente a indies que passam a jogar com majors só têm fundamento quando se verifica uma consequente diminuição da qualidade artística, o que definitivamente não é o caso.

Nota: A imagem que acompanha este post está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e foi tirada por TR4NSLATOR.

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