2007 deverá ser o oitavo ano consecutivo em que as vendas de música registam uma quebra. Apesar das promessas eufóricas iniciais, os downloads não conseguiram compensar até hoje a descida acentuada das vendas de CDs. E no entanto as pessoas mostram-se mais interessadas do que nunca em ouvir música nova. Muito por causa das redes de partilha de ficheiros e “downloads ilegais”, diga-se de passagem…
Até agora, isto era apenas uma vaga intuição sentida por muitos analistas do mercado e fãs de música. Mas um estudo recente da eMarketer vêm fundamentar este feeling com dados concretos – ainda que apenas relativos ao mercado norte-americano – com origem na Bridge Ratings e no Gabinete de Censos dos EUA.
O estudo mostra que um número nunca antes registado de pessoas estão a gastar dinheiro com música – quer sejam CDs, discos de vinil, cassetes ou downloads de ficheiros, mais precisamente 32 por cento da população norte-americana em 2006, contra 20 por cento em 1980 e 25 por cento em 2000, o ano em que o Napster original despontou para o mundo.
A outra face da moeda é que a despesa per capita diminuiu de 228 dólares em 2000 para 120 dólares em 2006. É preciso, no entanto notar que a descida já vinha a registar-se desde 1995, o ano em que a quantia-média gasta por cada americano nesse ano ultrapassou o valor recorde de 268 dólares.
Moral da história: as pessoas estão cada vez mais receptivas à música mas tendem a investir cada vez menos na compra de discos porque sabem que podem encontrar todo o tipo de oferta nas redes P2P sem gastar um cêntimo.
Isso é um indicador fidedigno da viabilidade de modelos de negócio centrados na venda de outros produtos acessórios para além do suporte físico, como concertos, merchandising ou mesmo acordos de licenciamento para utilização de música noutros media como filmes e séries de televisão que levem à compra de bens tangíveis. Embora careça dos dados necessários para sustentar, creio que estas tendências deverão ser globais, descontando os constrangimentos e os condicionantes regionais de cada mercado nacional.
(via Silicon Alley Insider)
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