Pensem duas vezes antes de sacarem ilegalmente um disco da Internet, pois poderão estar a contribuir para enviar para o desemprego mais um técnico de som ou um vendedor de CDs algures nos Estados Unidos. De acordo com o Institute for Policy Innovation (IPI), a “pirataria global e desenfreada de música registada em disco” representa um custo de 71.060 postos de trabalho e 12,5 mil milhões de dólares (cerca de 9,2 mil milhões de euros) em termos globais. Estas estimativas têm em conta não apenas o negócio da música mas também indústrias relacionadas como a da publicidade.
O estudo de 28 páginas, intitulado The True Cost of Sound Recording Piracy to the U.S. Economy (“O Custo Real da Pirataria de Gravações Sonoras na Economia dos Estados Unidos”) é uma autêntica dádiva caída dos céus para a indústria discográfica, tão necessitada está nestes tempos de crise que correm de se agarrar a quaisquer dados, venham eles donde vierem, que suportem a sua afirmação absurda de que cada disco partilhado corresponde a menos uma venda.
Mais uma vez vem à baila o velho argumento falacioso de que se a pirataria na Internet acabasse subitamente amanhã, todos os que até agora copiavam músicas de redes P2P passariam a comprar alegremente os álbuns e os problemas das gravadores desapareceriam como que por artes mágicas. Nada mais errado, pois o mais lógico seria que as pessoas passariam a copiar os CDs dos seus amigos, como aliás faziam anteriormente com as cassetes.
Mas passemos a alguns dos pressupostos lunáticos feitos pelo autor do estudo, o senhor Stephen Siwek da consultora Economists Inc.: Em relação aos 71 mil empregos perdidos todos os anos graças à pirataria, 26.860 referem-se directamente à indústria discográfica e ao comércio a retalho, enquanto que 44.200 são relativos a outras indústrias norte-americanas.
As perdas anuais de receitas devido à pirataria de música são calculadas em 2,7 mil milhões de dólares (dois mil milhões de euros). Deste montante astronómico, 1,1 mil milhões de dólares (800 centenas de milhões de euros) são atribuídos à indústria discográfica e ao comércio a retalho, ao passo que os restantes 1,6 mil milhões de dólares (quase 1,2 mil milhões de euros) são referentes a outras indústrias. De acordo com as estimativas de Siwek, o governo dos EUA também fica prejudicado em pelo menos 422 milhões de dólares (312 milhões de euros) relativos a impostos que ficaram por cobrar.
Depois de desfilar de números convém notar que o IPI não é propriamente uma organização imparcial. Apesar de proclamar ser uma instituição não-lucrativa e independente de quaisquer partidos políticos, o IPI é de facto um think tank ultra-conservador do Texas fundado pelo antigo congressista norte-americano Dick Armey. É claro que isso não impediu a Billboard, a Variety e o Hollywood Reporter de citarem religiosamente as principais conclusões do estudo, como se correspondessem à mais pura das verdades…
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