Sempre tive interesse em conhecer mais a fundo as raízes históricas e culturais dos termos pirataria e pirata que nos últimos anos passaram a estar – bem ou mal… – associados à partilha ilegal de ficheiros. Muitas vezes utilizam-se os conceitos sem ter o cuidado de ser preciso e rigoroso na sua aplicação. Quando isso acontece, os significados originais deixam de fazer sentido. Mas às vezes convém retroceder um pouco no báu da história e tentar estabelecer um paralelismo entre os dois contextos temporais. Isso é o que o sociológo brasileiro Jorge Machado fez num longo artigo intitulado “Em defesa da pirataria legítima” (versão inglesa aqui – via P2P Unite).
Segundo Machado, a pirataria legítima, a verdadeira, é diferente de comércio pois nunca envolve dinheiro mas sim a troca directa – o que os brasileiros chamam de escambo. Da mesma que os temíveis piratas do mar alto do século XVIII partilhavam o produto roubado aos enormes galeões espanhóis e libertavam os escravos das galés, também no século XXI os hackers – designação que nunca deve ser confundida com cracker -, os piratas da informação, partilham livremente a informação através da Internet.
Apesar de extenso, o artigo vale a leitura uma vez que o estilo de escrito de Machado é bem humorado e coloquial, carregado de constantes interpelações ao leitor a quem ele trata carinhosamente de hacker. Só acho que o autor adopta um tom demasiado condescendente e romântico em relação aos piratas de antigamente, mas aí confesso que não tenho um conhecimento profundo da história da pirataria. Alguns excertos:
Alguns amigos da indústria têm usado eficientemente os veículos da imprensa para culpar e criminalizar crianças, jovens e adultos que compartilham arquivos na Internet, tratando-os da mesma forma que aqueles que fazem comércio ilegal. A ambos dão o nome de “piratas
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