Apple pondera serviço de música financiado por publicidade

by Miguel Caetano on 3 de Agosto de 2007

Loja do iTunes

Já não é primeira vez que surge este rumor, mas com o lançamento do novo modelo de negócios introduzido pela We7, RCRD_LBL, Qtrax e SpiralFrog a Apple poderá ter retomado a ideia de modo a assegurar que o tapete não lhe fuga pelos pés se esse tipo de serviços de downloads de música grátis financiados por publicidade vier a ter sucesso.

A Music Ally, uma empresa de consultoria em música digital, arranjou provas que indicam que a Apple está a estudar a hipótese de integrar um serviço de música com anúncios na loja online do iTunes. Os dados constam de uma decisão do Tribunal de Copyright do Reino Unido relativa a fixação das licenças para música online cobradas pelos editores de música. Durante um encontro do tribunal, surgiu uma discussão sobre as consequências da oferta de faixas financiadas com publicidade pelos serviços online.

A decisão cita o testemunho de Eddy Cue, vice-presidente da iTunes onde ele afirma que a Apple apenas irá pagar receitas de publicidades se “essas receitas forem obtidas como resultado de um anúncio, patrocínio ou clique numa ligação localizada num serviço Licenciado… e apenas onde o Serviço Licenciado é oferecido ao Utilizador a um preço que tenha sido artificialmente reduzido no sentido de reflectido essa receita”.

Pela interpretação que faço dessas palavras, parece que o serviço que a empresa de Steve Jobs tem em mente não iria propriamente oferecer música grátis. O utilizador teria sim que pagar um preço, mas esse preço seria sempre bastante diminuto. Resta saber se isso seria suficiente para fazer concorrência a outras ofertas semelhantes que não hesitam em promover música de borla.

Mais à frente Eddy Cue adianta mais pormenores sobre esse hipotético serviço, precisando que ele se referia à “colocação de publicidade de terceiros no início, fim ou durante o transporte efectivo de uma Obra de Repertório para um cliente através de um download permanente”. Como explica a MacNN, esse modelo seria assim diferente de serviços como o Free do Napster, onde os utilizadores podem receber o streaming de faixas embora não as possam copiar e guardar.

Numa nota de rodapé, o juiz que presidiu a sessão comenta que Cue aventou a possibilidade de “o iTunes poder vir a incluir anúncios futuramente – daí o seu interesse nestas Aplicações”. Quanto a mim, considero que esta hipótese teórica é bastante plausível. Apesar da loja online do iTunes ter no mês passado ultrapassado a fasquia das três mil milhões de faixas comercializadas – um salto de de 50 por cento ou mil milhões de músicas em apenas seis meses, desde Janeiro deste ano, o que é facto é que os dados continuam a demonstrar que os consumidores são da opinião que os preços dos downloads são muito elevados. Por outro lado, o próprio Steve Jobs afirmou em Fevereiro na sua carta aberta a favor do fim da DRM que em média apenas três por cento da música disponível num iPod foi adquirida na loja do iTunes. Isso quer dizer que o que o enche os bolsos da Apple são os iPods e não a loja online.

Mas se o rumor da música com publicidade se vier mesmo a concretizar, é de esperar que a Apple opte por inserir os anúncios antes do início dos downloads. É que se a publicidade for exibida durante o período em que a faixa é descarregada, o tempo de visualização será bastante reduzido, o que não irá com certeza ser muito do agrado dos anunciantes…

Actualização (18:10): Como poderão constatar, o conteúdo desta entrada não correspondia ao título inicial. Daí que o tenha alterado. Em nenhum lugar se menciona a possibilidade de este serviço vir a ser grátis, como parecia indicar o título anterior “Apple pondera serviço de música grátis financiado por publicidade.

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1 Rui Lucas 3 de Agosto de 2007 às 21:12

Perdoe-me a correcção, já que não costumo fazer comentários, embora seja um leitor atento. No quarto parágrafo, quando escreve “exitam”, suponho que queira dizer “hesitam”.

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2 Miguel Caetano 4 de Agosto de 2007 às 11:58

Rui,

obrigado pela correcção. Já emendei.

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