Antigua quer distribuir música grátis em violação do copyright

by Miguel Caetano on 30 de Agosto de 2007

Pode muito bem ser que o próximo paraíso dos piratas venha a surgir em pleno mar das Caraíbas, nas ilhas que compõem a nação de Antígua e Barbuba, a julgar por uma notícia da semana passada do New York Times. A peça aborda um conflito já com alguns anos de duração entre este Estado e os Estados Unidos da América sobre sites de jogos de azar.

Vários casinos online têm utilizado a Antígua como sede fiscal nos últimos anos. Os principais clientes destes sites são principalmente cidadãos dos EUA. O problema é que os jogos de azar através da Internet são considerados uma actividade ilegal de acordo com a Lei norte-americana. Desde 2003 que a Antígua tem vindo a contestar perante a Organização Mundial do Comércio (OMC) esta proibição, argumentando que se trata de uma restrição injusta do comércio livre e de uma violação do acordo assinado entre os dois países.

Até hoje a OMC já deu razão à Antígua duas vezes. Só que os EUA continuam irresolutos na sua recusa em cumprir com as decisão daquele órgão transnacional, chegando ao ponto de afirmar que iria alterar unilateralmente o acordo de comércio livre com a Antígua de modo a retirar do seu âmbito o jogo online.

Só que agora a pequena nação fartou-se e propôs uma forma de retaliação algo insólita: pediu autorização à OMC para ignorar por completo as leis norte-americanas do copyright de modo a acolher no seu território todo o tipo de empresas online especializadas em serviços que violam despudoradamente os direitos dos detentores dos copyrights – isto, é claro, caso os EUA se recusem a cumprir com as decisões daquela organização.

E existem grandes hipóteses da OMC vir a conceder de facto esta autorização, uma vez que não seria a primeira vez que tal aconteceria: o Equador conquistou anteriormente o mesmo direito, mas em vez de o exercer optou por usá-lo como moeda de troca para obter concessões de Washington. Quem sabe se a Antígua não se irá transformar no refúgio físico de novos serviços de música e vídeos grátis ou a preços extremamente reduzidos semelhantes ao Pirate Bay, Napster original ou AllOfMP3?

(via OpenDotDotDot e P2P Blog)

Nota: A imagem da praia na ilha de Antígua está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e é de de federicochi. A imagem dos dados está disponível aqui segundo a mesma licença e é de Laura Pardo.

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Bem vindos a Antígua, a futura nação da música pirata made in USA | Remixtures
28 de Dezembro de 2007 às 23:21

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1 MAS 30 de Agosto de 2007 às 22:20

Hmmm… tenho as minhas dúvidas….
por 2 razões:

- Convenção de Berna
Antigua and Barbuda Berne Convention In Force March 17, 2000

- TRIPS
Antigua and Barbuda has been a WTO member since 1 January 1995.

Abraços

MAS

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2 Miguel Caetano 30 de Agosto de 2007 às 22:43

Marco, realmente desconhecia que a Antígua tinha assinado a Convenção de Berna. Sendo assim, o caso é mais complicado. Mas mesmo assim:

The obligations under TRIPS apply equally to all member states, however developing countries were allowed extra time to implement the applicable changes to their national laws, in two tiers of transition according to their level of development. The transition period for developing countries expired in 2005. The transition period for least developed countries was extended to 2016, and could be extended beyond that.

Developing countries are massive net-exporters of copyright-, patent- and trademark-related royalties. It has therefore been argued that the TRIPS standard of requiring all countries to create strict intellectual property systems will be detrimental to poorer countries’ development.[4] It is, prima facie, in the strategic interest of most if not all underdeveloped nations to use any flexibility available in TRIPS to write the weakest IP laws possible.

Já agora: caso fosse concedida, a excepção referia-se apenas a obras protegidas por copyright com origem nos EUA.

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