Para os músicos que estão agora a começar e não querem ter muito trabalho, redes sociais como o MySpace oferecem a possibilidade de criar uma presença na Web em poucos minutos, disponibilizando funcionalidades como upload de faixas, vídeos, imagens, blogs e comunicação directa com os fãs. Tudo absolutamente de borla, graças à inserção de mensagens publicitárias na página.
Nesta situação, aparentemente todos ficam a ganhar: o proprietário do site - neste caso a News Corp. de Rupert Murdoch – recebe montes de visitantes – e consegue atrair mais anunciantes. O artista também obtém uma forma fácil e económica de fazer chegar a sua música a um maior número de pessoas. Mas será que é mesmo assim? Não existe o risco de o artista estar a ceder demasiado controlo sobre as suas obras a serviços centralizados através de uma licença de exploração com termos frequentemente bastante dúbios (exclusivo/não-exclusivo).
Vem isto a propósito de um post bastante interessante que eu encontrei através do Lucas Gonze onde o autor coloca duas questões a respeito da publicação de música independente na Web:
a) Como é que os músicos publicam as suas obras e se financiam a si próprios?
b) Como é que os ouvintes descobrem música nova?Para responder à primeira, diria que qualquer músico semi-profissional que deseja construir uma carreira com base na sua música deveria criar o seu próprio site na Web. Dá mais trabalho, mas os benefícios são enormes – o artista mantém o controlo total sobre as suas obras e pode decidir exactamente de que forma as suas obras são publicadas, distribuídas, licenciadas e vendidas (e até mesmo abrir a sua própria loja virtual). A ideia deveria ser a de tornar este site o método *exclusivo* para transmitir novidades, oferecer downloads e vender música. Porquê? Porque se o artista tem um site com uma identidade forte, isso quer dizer que ele poderá manter um maior grau de controlo sobre as suas obras. As lojas online de retalho e as redes sociais são uma perda de tempo e deveriam ser evitados tanto quanto possível a menos que sejam capazes de atrair mais tráfego para o site principal do artista. Investe o minímo de esforço nestes sites de terceiros e maximiza o esforço no teu próprio site de forma a torná-lo o melhor possível. A Web é um óptimo recurso para empatar tempo e as pessoas ganham dinheiro à custa desse facto… o teu tempo está literalmente a fazer com que outras pessoas ganhem dinheiro. Isto é algo que se deve ter em conta quando navegamos na Web.
(…)
Se um artista tem a capacidade de publicar as suas obras directamente, então outros sites de música podem literalmente linkar para o artista original quando referirem o seu nome. Os blogs de música e os sites de críticas tenderão a confiar e a linkar directamente para um artista se a qualidade do conteúdo for mais elevada e digna de confiança. O resultado é um aumento do tráfego para o site pessoal do artista, onde ele pode construir uma comunidade de fãs, fazer com que as pessoas assinem a sua lista de correio electrónico, criar uma equipa de rua ou vender CDs de música e downloads. Agora compara isto com um site de crítica de música que linka para a página do artista no MySpace, onde apenas pode ocorrer um número limitado de coisas. Para além de adicionarmos alguém aos nossos “amigos” e escutarmos os excertos de algumas faixas, não há muito que possa acontecer. Como um artista, tu queres fornecer uma experiência sincera e profunda aos potenciais fãs e sites como o MySpace representam um beco sem saída.
Pode parecer que estou a desvalorizar as redes sociais, mas não estou. Elas funcionam muito bem para o objectivo pretendido – ligar pessoas. Mas quando se refere à publicação de música não acho que estes sites funcionem muito bem porque a propriedade, o licenciamento, as vendas e a distribuição das obras torna-se muito complicada. Além disso, é pura e simplesmente difícil actualizar os conteúdos em cinco redes sociais diferentes.
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Bom post!