Lançar a versão digital do disco antes do suporte físico resulta?

by Miguel Caetano on 18 de Julho de 2007

Stars - In Our Bedroom After The WarTempos díficeis exigem respostas inovadoras. Numa altura em que a indústria musical enfrenta uma quebra acentuada das vendas, a banda de Pop independente Stars de Montreal (Canadá) e a sua companhia discográfica Arts&Crafts fizeram uma aposta arrojada ao lançarem o novo álbum do grupo In Our Bedroom After War na sua versão digital para download pago na Internet dez semanas antes da data de saída oficial do suporte físico, marcada para 25 de Setembro, e apenas quatro dias depois de ter sido completado.

Tendo consciência de que o álbum acabaria mais tarde ou mais cedo por parar nas redes de partilha de ficheiros e que muitos fãs não iriam esperar até ao final de Setembro para ouvirem o disco, eles esperam que esta opção venha a resultar num aumento das vendas:

Esperamos que decidam apoiar a banda e decidam comprar o álbum. Contudo, não achamos que seja justo que tenham que esperar até 25 de Setembro para o fazer.

Mas será que a iniciativa irá realmente influenciar positivamente as vendas em termos globais (versão digital + CD)? Seria interessante se a Arts & Crafts divulgasse posteriormente os números de vendas do álbum antes e depois do lançamento em suporte físico.

Glenn Peoples do Coolfer vê na fraca repercussão que o disco obteve até agora junto dos media tradicionais um indicador negativo da estratégia centrada no digital adoptada pela companhia discográfica dos Stars. Embora a iniciativa tenha gerado centenas de posts em blogs com críticas bastante favoráveis ao álbum, é pouco provável que cada uma destas críticas cheguem a ser lidas por mais do que meia-dúzia de pessoas. Na sua opinião, faltou uma campaha de marketing direccionada para os “provadores” (tastemakers) e os “porteiros” convencionais.

Pessoalmente, penso que o problema é outro. Nos tempos que correm, em que um artista oferece o seu último disco com um jornal, obtém publicidade de graça e ainda aproveita para encher as salas de concertos, lançar uma versão digital para download pago não gera automaticamente uma boa imprensa. Se é para lançar online e competir com o P2P, porque não oferecer o álbum todo de uma vez e depois acrescentar um conteúdo exclusivo ao suporte físico de modo a que o consumidor sinta que o disco que está a comprar possui um valor acrescentado?

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1 Jorge Vieira 19 de Julho de 2007 às 11:16

Os brasileiros Bonde do Rolê também colocaram o álbum disponível em exclusivo no itunes meses antes de sair em formato físico.
E aparentemente estão a ter sucesso comercial (é claro que dentro de um nicho, ou nichos específicos). Como sabemos, a estratégia de marketing é essencial para o sucesso de um projecto musical.

“…porque não oferecer o álbum todo de uma vez e depois acrescentar um conteúdo exclusivo ao suporte físico de modo a que o consumidor sinta que o disco que está a comprar possui um valor acrescentado?”

Estou contigo. A estratégia pode e deve passar por aí.

Abraço

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