
Já está disponível sob acesso restrito a versão beta Omemo, o programa de P2P desenvolvido pelo espanhol Pablo Soto sobre o qual eu falei aqui em Março e que visa partilhar uma percentagem de espaço livre do disco rígido de cada utilizador de forma a criar um enorme disco virtual para uso colectivo. Para experimentar o Omemo é necessário um convite. Para recebê-lo, é necessário indicar o nosso endereço de correio electrónico no site do projecto.
Soto, que foi também o criador da rede Manolito (utilizada pelos clientes Blubster e Piolet), divulgou a informação no seu blog sem adiantar pormenores em relação ao que já tinha explicado anteriormente, mas o site espanhol HispaMP3 publicou uma notícia mais completa sobre o programa de P2P que “promete revolucionar” a tecnologia de partilha online de dados.
Uma das grandes novidades que o Omemo introduz é que não existe partilha de ficheiros em si, mas apenas de espaço livre de armazenamento. Depois de instalado, o software pergunta ao utilizador que percentagem de espaço livre do disco rígido pretende alocar ao disco virtual do Omemo. Com isto, ele obtém o direito de escrita permanente no disco, bem como o de leitura de todos os seus conteúdos. O direito de escrita refere-se a um determinada espaço proporcional à quantidade de espaço que disponibilizamos e ao período de tempo durante o qual o disponibilizamos. Essa unidade de armazenamento ficará acessível no sistema de cada utilizador como se se tratasse de um disco rígido local, um CD ou uma drive de memória USB, oferecendo velocidades de transferências superiores ao de um servidor de FTP.
Outra diferença em relação aos protocolos de P2P actuais é que o conteúdo partilhado pelo utilizador continua disponível no disco do Omemo mesmo quando ele sai do sistema. Por outro lado, pode-se criar e eliminar pastas para organizar os conteúdos por categorias. O resultado é uma biblioteca multimédia administrada pela própria comunidade de utilizadores. Uma grande vantagem é que tudo isto funciona anonimamente, uma vez que é impossível saber quem disponibilizou originalmente o ficheiro e quem o descarrega.
Resta no entanto saber como é que Pablo Soto e a sua empresa MP2P irão garantir que não existe a possibilidade de alguma empresa de monitorização de tráfego detecte conteúdos ilegais no nosso computador, correndo assim o risco de sermos injustamente acusados por crimes que não cometemos. Em último caso, tudo irá depender da confiança que os membros da comunidade P2P depositarem neste sistema que se apresenta como “livre de censura, onde a decisão sobre se um conteúdo deve ou não estar ali é dos utilizadores”.
Talvez a prevista disponibilização do código fonte e dos gráficos do software segundo uma licença livre possa contribuir para aumentar a credibilidade do projecto. Mas em todo caso as perspectivas para a adopção em massa do Omemo parecem não ser muito grandes. É que o êxito do projecto pressupõe uma grande dose de generosidade e altruísmo por parte utilizadores de redes de partilha de ficheiros, quando estes geralmente apenas querem “sacar” o mais rapidamente possível sem dar nada em troca…
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