Overmundo reconhecido internacionalmente

by Miguel Caetano on 25 de Maio de 2007

Overmundo

Ora aqui está algo com que os nossos políticos e empresários poderiam aprender, uma notícia que mostra que vale a pena apostar na cultura colaborativa e aberta à participação de todos: o Overmundo, um projecto brasileiro que eu não me canso de elogiar, acaba de ser anunciado como vencedor do Prix Ars Electronica 2007 na categoria de Comunidades Digitais (via Submidialogia e Ministério da Cultura do Brasil). Provavelmente muitos não saberão o que é o Ars Electronica, mas este pode ser considerado como o mais prestigiado prémio do mundo no campo da intersecção entre arte, tecnologia e media.

Desde 1987, quando o prémio foi criado, já receberam o galardão Golden Nica indivíduos, obras e associações tão importantes como Linus Torvalds, Neal Stephenson, Chris Cunnigham/Aphex Twin, Ryuichi Sakamoto, Toy Story e Creative Commons. Para além da categoria de Comunidades Digitais, cujo prémio foi atribuído pela primeira vez em 2004 à Wikipedia, existem outras cinco categorias (Animação por Computador/Efeitos Visuais, Arte Interactiva, Músicas Digitais, Comunidades Digitais, Net Vision e Freestyle Computing). O troféu e o dinheiro do prémio, 10 mil euros, vão ser entregues em Setembro, na próxima edição do Festival Ars Electronica, que decorrerá na cidade austríaca de Linz.

De salientar ainda que o Overmundo foi o escolhido entre um total de 408 participantes dessa categoria (ao todo foram inscritos 3374 projectos de 63 países). O site foi lançado em Março de 2006 e desde logo conquistou uma enorme adesão junto dos produtores culturais brasileiros, contando actualmente com uma vasta rede de colaboradores voluntários – ou jornalistas-cidadãos, como queiram – espalhados por todos os estados do país que contribuem para abastecer um riquíssimo banco de dados com textos, imagens, vídeos e músicas. Visitar o Overmundo é como que fazer uma pequena viagem virtual pelo gigantesco mosaico da diversidade cultural do Brasil.

Se bem que o site não possa ser considerado um projecto propriamente independente pois, como recorda o Thiago Novaes na lista Submidialogia, para além de contar com o apoio financeiro da Petrobrás, a maior empresa pública do país, é também coordenado pelo antropólogo Hermano Vianna (que é responsável pelo programa de televisão “Central da Periferia” emitido pela Globo) e pelo jurista Ronaldo Lemos (recentemente eleito para presidente da iCommons), considero mesmo assim que se trata de um exemplo bastante relevante de colaboração descentralizada que devia ser seguido em mais países do mundo, nomeadamente Portugal.

Aliás, ao contrário dos activistas brasileiros da cultura livre, penso que estes apoios institucionais só revelam que no Brasil os poderes instituídos prestam atenção à cultura emergente que se vai fazendo pela/à margem do circuito comercial – é preciso é que a comunidade esteja também atenta a quaisquer riscos de cooptação ou desvio em relação à missão inicial que possam eventualmente ocorrer. Mas esses compromissos não invalidam de modo nenhum o apoio ao projecto.

Ponham por exemplo os olhos no que se passa em Portugal, país onde a cultura quando não é alvo de incúria e desleixo é matéria reservada a elites de especialistas, sinónimo de património=monumentos=passado e onde a educação artística está acessível apenas aos que dispõem de posses para pagá-la, acabando por ser sempre a expressão de um grupinho de privilegiados… Mas também o que é que se poderia esperar de um país onde a criatividade e a colaboração ainda são olhadas com suspeição face à tão prezada produtividade, mesmo sabendo que a economia da cultura tende a adquirir cada vez mais valor?

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1 Cois@ndo Cois@s 27 de Maio de 2007 às 22:04

Nao sei se conheces o estudiolivre.org, mas acho importante ressaltar q ja existem outras iniciativas nesse sentido, e q tb estavam a concorrer ao Prix Ars, e q nao sao dirigidos pela Rede Globo ou bancados pela Petrobras, mas q pra comprar um HD e garantir o livre acesso aos conteudos produzidos livremente, os propios usuarios se reunem, fazem vaquinhas e tentam resolver seus problemas.. Acho q isso deveriqa ser levadi em consideracao na hora de se premiar iniciativas desse genero…

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2 Miguel Caetano 27 de Maio de 2007 às 23:12

Não só conheço muito bem o Estúdio Livre como ele é um dos sites que consta da secção de Recursos do blogroll do Remixtures :-)

E recomendo vivamente a sua visita por todos aqueles que se interessam por produção multimédia, pois parece-me que não existe outra referência como o EL em língua portuguesa nesse campo.

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