A provável aquisição da EMI e o fim da DRM

by Miguel Caetano on 22 de Maio de 2007

A grande notícia das últimas 24 horas no mundo da música foi a aceitação pela EMI Group da proposta de aquisição no valor de 2,4 mil milhões de libras (3,6 mil milhões de euros) apresentada pela recém-formada empresa de fundos de investimento Terra Firma. Esse valor inclui apenas as acções, pois no total a operação poderá rondar os 3,2 mil milhões de libras (4,8 mil milhões de euros), contando já com as dívidas da EMI.

Apesar de muito boa gente dar já o negócio como certo, convém se calhar refrear o entusiasmo: segundo a Reuters, é “provável” que a Warner Music Group, outra das quatro grandes companhias discográficas do mundo – e que tinha já antes mostrado interesse em “engolir” a sua concorrente, embora a sua proposta no valor de 3,1 mil milhões de euros tenha sido rejeitada – apresente uma contraproposta aos accionistas.

Presumindo, mesmo assim, que a intenção da Terra Firma irá à avante isso também não significa que a EMI não irá parar às mãos da Warner. Isto porque depois de assentada a poeira, a primeira poderá muito bem vender a discográfica à sua rival, evitando assim quaisquer eventuais complicações com as entidades reguladores – em especial, a Comissão Europeia – devido aos riscos de concentração do mercado.

Mas no final de contas qual o impacto que a compra da EMI por uma ou outra empresa irá ter nos consumidores e apreciadores de música, tendo em conta o recente anúncio da major de passar a disponibilizar música sem DRM?. Bem, uma vez que o director executivo da Warner Music já declarou várias vezes em público que a DRM ainda continua a ser a melhor resposta aos problemas da indústria, o mais provável é que caso fosse a Warner a ficar com o “prémio” cobiçado o catálogo da EMI voltasse a ser fechado a cadeado com medidas de protecção tecnológica. Por outro lado, o sector da música passaria a ficar mais concentrado, o que nunca é bom sinal: em vez de quatro grandes passariam a ser apenas três grandes…

No entanto, se a proposta da Terra Firma for avante é preciso ter em conta que quem vai passar a mandar na EMI serão executivos com interesses desligados do mundo da música e cuja verdadeira missão é enriquecerem-se a si próprios e aos seus accionistas.

Convém também ter em conta que as contas da EMI se encontram actualmente num estado periclitante. Segundo os resultados anuais divulgados ontem, o grupo perdeu 263,6 milhões de libras ao longo do ano fiscal terminado a 31 de Março de 2007, em comparação com um lucro de 118,1 milhões no ano anterior. As receitas também desceram 15,8 por cento, representando um valor de 1,75 mil milhões de libras. Por outro lado, o crescimento (46,5 por cento) das receitas obtidas com a música digital não foi suficiente para compensar a descida nas vendas de CDs e representa ainda apenas 9,4 por cento das receitas totais do grupo. Aproximam-se tempos sombrios de reestruturação para os lados desta major, a única que depende exclusivamente do negócio da música.

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Confirmado: Terra Firma fica com a EMI
2 de Agosto de 2007 às 11:54

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