França: uma outra indústria da música é possível

by Miguel Caetano on 22 de Abril de 2007

Está já disponível online o relatório Musique et numérique: la carte de l’innovation (PDF e HTML) que resultou de um trabalho de investigação entre a Fundação Internet Nova Geração (FING) e agentes do mundo da música – entre os quais representantes de majors, independentes, músicos, e produtores – levado a cabo entre Abril de 2006 e Março de 2007. O estudo de 127 páginas apresenta uma série de pistas que demonstram de que forma a inovação poderá ajudar a indústria da música a sair da crise em que actualmente se encontra, incluindo ainda uma bibliografia bem recheada sobre P2P e os hábitos dos utilizadores, o novo ecossistema da música online e respectivos serviços, as tecnologias de DRM, o efeito da partilha ilegal de músicas nas vendas e as questões relativas aos direitos de autor. O Le Monde publicou uma entrevista com Daniel Kaplan, um dos investigadores responsáveis pelo documento.

Algumas citações da síntese (PDF, HTML):

La musique devrait connaître un âge d’or, culturel et économique. On n’a jamais écouté autant de musique – chez soi, sur soi, dans l’espace public… -, ni autant produit. Mais cette musique devenue flux, ambiance, signe (et parfois produit), est en même temps désacralisée et par suite, sur le plan économique au moins, dévalorisée.

(…)

Les acteurs économiques de la musique ont donc l’obligation d’innover. Et ils le font, même si c’est d’abord sous la pression de “nouveaux entrants”. L’analyse de quelques 50 entreprises et de plus de 30 modèles économiques différents a ainsi permis d’identifier un grand nombre d’initiatives innovantes, tant dans la création de valeur économique que dans la monétisation (le recouvrement de cette valeur)

(…)

La quasi-totalité des innovations identifiées ont un point commun : l’importance que prend l’aval de la filière, la distribution, les sites communautaires et plus généralement, l’ensemble des fonctions qui supposent une grande proximité avec l’amateur de musique, ses attentes, ses goûts, sa disponibilité… Or une prise de contrôle de l’industrie musicale par l’aval n’est pas forcément une bonne nouvelle pour la création et la diversité musicale. Elle pourrait au contraire aboutir à un une création entièrement pilotée par l’analyse des goûts de segments solvables de la clientèle – autrement dit, à la systématisation des dérives que l’on reproche à l’industrie musicale d’aujourd’hui.

Musique 2.0

Ainda continuando por terras gaulesas, queria também falar do recente lançamento de Musique 2.0: Solutions pratiques por nouveaux usages marketing da autoria de Borey Sok. Apesar de o nome deste livro de 160 páginas utilizar esse truque retórico muito em voga hoje em dia do doispontozero – sendo frequentemente uma forma jeitosa e cool para aqueles que querem sugerir a ocorrência de uma transformação mas não sabem muito bem precisar com exactidão qual o sentido dessa mudança… -, o autor sabe bem do que fala, pois para além de ter um master em Marketing/Comunicação, já trabalhou na promoção de artistas tanto em labels independentes como numa major (Warner Music France).

A avaliar pelo índice do livro, a leitura promete: embora não introduza nada de significativamente novo para a discussão, Musique 2.0 oferece um bom guia de navegação para os artistas e utilizadores com pouca experientes nos mares revoltosos e em constante mutação da música online. Depois de fazer um relatório da actual crise da indústria do disco no primeiro capítulo, Sok passa a abordar as ferramentas de marketing que o novo sector oferece para os artistas promoverem e venderem a sua música, concluindo no terceiro capítulo com uma análise sobre a nova relação entre o internauta actor e o artista possibilitada pelas redes sociais e pelos blogs.



Em cima podem ver uma entrevista do autor para o vlog de Jean Michel Billaut. Para ouvir: podcast do primeiro capítulo em versão audiobookprimeiro e segundo episódio.

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