Em busca da batida perfeita, em caves bafientas e lojas de discos usados, DJs e produtores dedicam-se a explorar os sons que o tempo deixou há muito para trás, por entre milhares de rodelas de vinil. Quer seja entendido como obssessão irresistível, manifestação cultural do fetichismo da mercadoria que Marx tanto criticava ou mera forma de coleccionismo profissional, o Beat Diggin’ é uma arte que dá nova vida a músicas que desapareceram da memória colectiva, devendo por isso ser devidamente prezada e honrada.
A história do Hip-Hop é, aliás, em grande parte, uma operação meticulosa e cuidada de “corte e costura” do Funk, Jazz, Soul e outros géneros musicais de décadas passadas. Aliás, apesar do público em geral preferir hoje em dia a flexibilidade e a facilidade de utilização que formatos digitais imateriais como o MP3 oferecem, muitos dos maiores cultivadores do estilo continuam a utilizar o vinil e os gira-discos como instrumentos de trabalho na sua missão de arqueologia sonora devido à pureza que o analógico proporciona – é o caso de um DJ Shadow ou um Madlib/Quasimoto.
Em cima podem ver alguns vídeos que testemunham o amor e a dedicação à música simbolizados por esta cultura urbana. Mais do que isso, demonstram que o sampling não deve ser considerado como um plágio descarado nem como uma arte menor, mas sim como uma Arte de pleno direito com rituais e técnicas próprias. O primeiro é o documentário Beat Diggin’, produzido em 2003 mas filmado em 1997 – quando o Hip-Hop se encontrava na sua fase de maior ascensão – pelo dinamarquês Jesper Jensen, que encontrei através do Sivacracy de Siva Vaidhyanathan. O segundo é um clip promocional da compilação Kings of Diggin’, uma seleccão de 54 faixas clássicas a cargo de Kon & Amir e DJ Muro lançada em Julho do ano passado. O terceiro e último é um pequeno excerto de Deep Crates 2, que deverá sair durante a Primavera e que será a continuação do documentário sobre a cena underground publicado em 2004 (DVD disponível). Para finalizar, recomendo a visita ao blog português Hit da Breakz, um recurso indispensável para todos os consumidores compulsivos de vinil.
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