A revolução das netlabels está a chegar

by Miguel Caetano on 17 de Março de 2007

netblov vol3 - capaBoas novas, ou melhor dizendo, esplêndidos sons nos traz Michael Gregoire com a terceira edição da sua compilação BlocSonic. Isto porque ele teve o excelente gosto de incluir na sua selecção mensal das 10 melhores faixas disponíveis através de netlabels uma música de Levi, Untitled, pertencente a The Adventures Of, o segundo e mais recente lançamento do músico português sobre o qual eu falei aqui a propósito da estreia da Rasarte, a nova netlabel portuguesa. É de facto uma agradável surpresa, até porque como refere o Michael no booklet, foi graças ao post no Remixtures.com que ele ficou a conhecer o trabalho do Levi:

Many thanks to Remixtures.com for mentioning and linking to Rasarte, the netlabel which this track is released on. I wouldn’t have discovered this release otherwise. A bluesy guitar-driven track with no name and lyrics that provide a sense of humor. It’s ironic that an untitled track could be so memorable.

Thanks for the reference, Michael :-) E a edição deste mês conta com mais uma participação lusófona através dos brasileiros Aerotrio (de Campina Grande, uma cidade do estado de Paraíba), uma banda que navega por entre os mares da electrónica e do jazz. O nome da faixa chama-se Prisma (Revisitada) e pertence a FOOT031, o disco de estreia dos Aerotrio recentemente publicado pela netlabel japonesa Bump Foot.

Mas vale a pena também escutar as outras nove músicas incluídas nesta nova BlocSonic, intitulada La Plus Belle Guerre. O nome é deveras apropriado, pois estamos de facto perante uma guerra entre a RIAA e as quatro grandes companhias discográficas que representa, de um lado, e todos os fãs e apreciadores de música em geral. É triste é que muitas pessoas continuam a alimentar as máquinas de ídolos fabricados à pressão que ocupam os tops de todos os países, sem saber que quando compram um CD apenas uma pequeníssima parte do montante que despenderam vai parar aos artistas. Como explica o economista Ricardo Reis, “por cada CD a 15 euros, eles (os músicos) acabam só com entre 50 cêntimos a 1 euro com os quais ainda têm de pagar à editora as despesas de promoção do disco”.

No booklet que acompanha a compilação, o Michael menciona o assunto que tem agitado a blogosfera norte-americana nos últimos dias, a aprovação pelo Copyright Royalty Board – um organismo público que estabelece os montantes e os prazos das licenças de copyrights nos Estados Unidos – dos aumentos propostos pelo SoundExchange – uma associada da RIAA para a cobrança de royalties – nas taxas que as rádios online são obrigadas a pagar e que terão efeitos retroactivos a contar desde o início de 2006. Na perspectiva dele – que eu também partilho – a rádio na Internet não precisa ser salva, justamente porque está de perfeita saúde e passa muita bem sem a droga impigida pelas majors.

A confirmar esta pujança está a miríade de podcasts, blogs e sites que dão a conhecer músicas publicadas sob licenças livres como as Creative Commons e outras (estejam à vontade para explorar os links na barra lateral). Os webcasters não têm que pagar nada por reproduzirem estas faixas, pois os artistas compreendem que esta é uma forma de as suas criações ganharem uma maior exposição pública. E isto é uma revolução, mas uma revolução através da arte:

Rumblings of revolution. Sounds of competing powers. Clashing noises, of which the musician is the mysterious, strange, and ambiguous forerunner – after having been long emprisoned, a captive of power – Attali, Jacques (1986 [1977]), Noise: the political economy of music, Minneapolis, University of Minnesota Press, pág. 12.

STFU - PortoSTFU Lisboa

Sem pretensões políticas, mas apenas pelo prazer de compor música com laptops e outras máquinas electrónicas, um colectivo internacional de músicos e artistas visuais denominado STFU tem-se vindo a reunir desde 2005 em várias cidades da Europa para concertos/eventos de música. Depois de Manchester, Glasgow, Leeds, Weimar, Chester, Helsínquia e Roma chegou agora a vez destes “activistas” e promotores da cena das netlabels passarem por Portugal – pela mão dos selos nacionais Enough Records e Test Tube. Porto (dias 22,23 e 24 de Março), Lisboa (dia 30) e Torres Vedras (dia 31) são as cidades que constam do programa. Para os que estão agora a começar a explorar os territórios mais electrónicos e experimentais, deixo aqui em baixo o vídeo do documentário STFU Glasgow – Netaudio in the Real World, gravado durante o festival de Glasgow, em Novembro de 2005. Com a duração de 37 minutos, o filme inclui gravações dos concertos, imagens dos efeitos visuais concebidos por VJs e entrevistas com alguns dos músicos que participaram. Depois de o vermos ficamos com uma noção de que porque é que na música electrónica o laptop é o meio de produção por excelência e a Internet o veículo ideal de distribuição e quais as consequências dessa digitalização no sentido da democratização da autoria musical. O torrent pode ser obtido no Mininova. Podem também fazer download directo do ficheiro DivX de 450 MBytes.

Actualização (18 de Março): estou a ter problemas com o novo leitor flash do Archive.org. Se não conseguirem ver o vídeo, podem vê-lo aqui.

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» Rádios online ameaçadas com o aumento das taxas pelo copyright
3 de Maio de 2007 às 18:32

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