Nestes últimos dias, o domínio do P2P enquanto tecnologia mais eficiente para a distribuição de conteúdos tem vindo a ser fortemente contestado. Neste post e no seguinte irei abordar alguns dos factos e opiniões que estão a agitar a comunidade de partilha de ficheiros. Começo com os dados concretos: dois estudos recentes efectuados por fabricantes de equipamentos de monitarização e gestão da largura de banda apontam para que, pela primeira vez desde há vários anos, o tráfego de HTTP esteja a consumir mais largura de banda da rede do que a partilha de ficheiros P2P, sendo que os serviços de alojamento de vídeos como a YouTube, Revver, Daily Motion, MetaCafe e Sapo Vídeos parecem ser os principais agentes por detrás dessa mudança.
Como referi aqui, dados relativos a 2004 pela empresa CacheLogic indicavam que o P2P representava 62 por cento do tráfego da Internet, quase o dobro do tráfego da Web – sendo que o BitTorrent seria responsável por um terço de todo os dados circulando online. No final de 2005, de acordo com um estudo posterior da mesma companhia, as redes de partilha de ficheiros já representavam 71 por cento do tráfego contra 23 por cento dos dados relacionados com a Web.
Mas a crescente popularidade dos serviços de alojamento de vídeos indicava que este cenário estaria a modificar-se. Ao contrário do que acontece no BitTorrent e nas outras redes descentralizadas P2P em que cada cliente é um servidor, os vídeos que as pessoas podem visualizar nesses sites da Web 2.0 são transmitidos via streaming em protocolo HTTP a partir de servidores centrais. Basicamente, trata-se do mesmo modelo da Web de sempre em que a plataforma é controlada por uma empresa; a única diferença é que o utilizador pode colocar lá os seus vídeos, desde que estes não violem os direitos de autor de terceiros ou contenham pornografia e outro material ofensivo. São “portais” comerciais, mas portais fornecidos pelos conteúdos dos utilizadores. Crowdsourcing generalizado, mesmo que a moda, como a YouTube parece ter aprendido, seja “recompensar a criatividade”.
E parece que o negócio dá resultado: segundo um estudo da Ellacoya Networks citado pelo site LightReading (via ZeroPaid), que se baseou numa amostra de dois milhões de ligações domésticas de banda larga, o tráfego de HTTP é agora responsável por 39 por cento da utilização da largura de banda, em comparação com 37 por cento do tráfego P2P. Mais ainda, os conteúdos da YouTube já representam quatro por cento de todo o tráfego HTTP e dois por cento da utilização global de largura de banda da rede.
De acordo com a Ellacoya, o protocolo BitTorrent continua a ser a rede de P2P mais utilizada na América do Norte, seguido pelo Gnutella (através do Limewire) e do eMule/eDonkey. A julgar pelo se pode ler noutro lado, tudo indica que estes números sejam retirados de um estudo de maior alcançe efectuado entre Agosto e Dezembro do ano passado pela mesma empresa que sugere que uma pequena minoria – cerca de cinco por cento – dos utilizadores gera 45,3 por cento do tráfego total. O que é estranho é que no próprio site da Ellacoya não se encontra qualquer informação sobre esta análise…
O segundo estudo a que me referi inicialmente foi realizado pela Sandvine e baseou-se numa amostra de 2,7 milhões de ligações de banda larga na América do Norte. Tal como o da Ellacoya, este também conclui que o tráfego HTTP emprega neste momento 38 por cento da largura de banda da rede em comparação com os 36 por cento representados pelo P2P. Tal como no caso anterior, também não encontrei qualquer informação relativa a estes dados no site da Sandvine…
Não sei se é pelo nome do site incutir uma impressão negativa no leitor, mas a peça do LightReading deixa bastantes dúvidas quanto à validade dos estudos mencionados, pois para além destes apresentarem números significativamente diferentes dos dados da CacheLogic relativos a períodos anteriores, não incluem uma referência comparativa que permita retirar qualquer ilação fundamentada deles e concluir se o tráfego P2P desceu ou cresceu.
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No fundo isso pode ser bom. Alivia a pressão sobre o p2p, muito visado. Quem sabe os provedores abandonam o traffic shaping?
Em algum lugar nesses estudos há números absolutos?
Muito bem, o uso de banda via HTTP aumentou, mas o que quero saber é se é o tráfego P2P realmente diminuiu, em números absolutos. Essa informação é valiosa para a discussão.
Pois é, Leo. Não dá para confiar muito nestas percentagens