Mas se alguns players da indústria já começam a aprender a lição, outros há, em especial as quatro grandes labels, responsáveis por quase 90 por cento de toda a música publicada em disco, que tardam em aprender, como bem relembra o Jon Newton, um canadiano de 65 anos que é o único responsável pela P2Pnet.net, uma webzine fundamental para quem queira conhecer mais a fundo as mentiras, a propaganda, as ameaças e as campanhas de extorsão desencadeadas diariamente um pouco por todo o mundo por estas centrais de banditagem e corrupção contra cidadãos comuns e honestos que apenas querem partilhar música com os amigos como a Michelle Santangelo. Deixo aqui alguns excertos de um post notável que o Jon publicou no Sábado passado com o título “Us, them, P2P and file-sharing”:
Advogados contra advogados, ouvidos por advogados. Ninguém excepto os advogados pode compreender as leis arcanas originalmente criadas para nos proteger, mas que se tornaram leis auto-perpetuadoras sobre si próprias. Elas escravizam-nos. Elas levam-nos à penúria em nome de empresas inacreditavelmente ricas que as empregam para nos controlar, a nós, as pessoas que as tornaram tão ricas em primeiro lugar e que as mantêm como tal.
A partilha de ficheiros não é criminosa, não obstante os dispendiosos e deploravelmente bem sucedidos esforços de relações públicas por parte da RIAA do cartel para utilizar a imprensa de massas e os media electrónicos para a elevar a esse nível. Trata-se de um assunto de direito civil. E o que está em questão não é se alguém violou uma lei, mas se ela ou ele infringiu o copyright, uma simples infracção comercial e bastante longe de ser “criminosa” ou “ilegal”.
(…)
Pela primeira vez na história, todos falamos entre si. Em todo o mundo.A informação e não o dinheiro, é a única verdadeira moeda e hoje, no século 21 digital, podemos extraí-la e partilhá-la, um privilégio em tempos reservado apenas aos Poderes Estabelecidos.
E isso é a coisa mais assustadora que alguma vez aconteceu às labels e outras entidades corporativas que foram até agora capazes de nos tratar como cogumelos, mantendo-nos no escuro e alimentando-nos com tretas.
Não precisamos delas. Mas elas precisam de nós. De facto, elas não podem literalmente sobreviver sem nós e pela primeira vez elas estão a experimentar o horror puro de terem que enfrentar consumidores informados que podem transmitir o que sabem a outros (…)
Também pela primeira vez elas estão a enfrentar a concorrência na pessoa de excelentes músicos e intérpretes, amadores e profissionais, que demonstram o seu talento online.
Está prestes a emergir uma massa crítica e quando isso acontecer (…) as labels (…) irão cortejar-vos em vez de processar-vos. Porque a RIAA e todos os clones da RIAA das quatro grandes espalhados pelo mundo terão alcançado uma vitória importante. Para nós.
Elas criaram uma nova classe de consumidores que não chegará perto da Warner Music, EMI, Vivendi Universal e Sony BMG ou qualquer uma das 1.637 companhias que pertencem à RIAA.
E porque é que eles precisariam de o fazer com a enorme quantidade de excelentes músicos independentes e livres que há para escolher online?
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