Através do Howard Rheingold cheguei a um texto de Henry Jenkins onde o professor de Comparative Media Studies no MIT aborda do ponto de vista da comunidade de utilizadores a aquisição do YouTube pelo Google e outros negócios mirabolantes da Web 2.0, todos envolvendo sites que adquiriram valor mediante a contribuição de milhares de voluntários:
At the heart of the Web 2.0 movement is this idea that there is real value created by tapping the shared wisdom of grassroots communities, composed mostly of fans, hobbyists, and other amateur media makers. I have often celebrated these efforts as helping to pave the way for a more participatory culture — one that will be more diverse and innovative because it expands the range of content we can access. Yet, as I suggested here a few weeks ago, there is a nagging question — if these grassroots efforts are generating value (and in fact, wealth) and their creative power is being tapped by major corporations, at what point should they start receiving a share of revenue for their work?
We have all seen major media companies telling us that file-sharing is bad because it takes other people’s intellectual property without just compensation. So, why are these same companies now taking their audience’s intellectual property for free? Do we understand their profits primarily as a tax to support the infrastructure that enables their distribution?
No final, enquanto que os proprietários dessas empresas ficam estupidamente ricos de um minuto para o outro, os utilizadores e criadores que disponibilizam online o seu trabalho sem qualquer tipo de recompensação financeira permanecem na mesma situação – ou ainda pior, se o novo dono do serviço decidir começar a cobrar ou a impor outro tipo de restrições.
Mas esta é, na verdade, a mesma história de sempre desde o início da Web, só que agora entrámos numa fase de exploração mais descarada: foram sempre os técnicos, os engenheiros, os ISPs, as empresas de hardware e de alojamento de servidores Web, as produtoras de software a lucrarem; uma vez que o conteúdo é barato e só serve para encher espaço e atrair publicidade, os animadores de comunidades virtuais, bloggers, podcasters, videocasters e outros produtores de texto, sons e imagens foram sempre ignorados pelo mercado. Até mesmo a partilha de ficheiros só serviu para encher os bolsos dos ISPs. Acham mesmo que o número de utilizadores de serviços de banda larga seria o mesmo sem as redes P2P?
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Não concordo completamente contigo. Dependo do site e do serviço. Alguns (muitos) destes serviços como é o caso do YouTube ou do Flickr oferecem-te um serviço. Este serviço, que se eles não to oferecessem seria pago por ti (alojamento, largura de banda, divulgação) acaba por ser pago cedendo as receitas publicitárias (ou parte delas). É uma forma de cobrar um serviço. Podes questionar a utilidade do serviço, mas o que é certo é que é um serviço.
“Este serviço, que se eles não to oferecessem seria pago por ti (alojamento, largura de banda, divulgação) acaba por ser pago cedendo as receitas publicitárias (ou parte delas). É uma forma de cobrar um serviço. Podes questionar a utilidade do serviço, mas o que é certo é que é um serviço.”
Sim, é apenas um mero serviço. Mas para que dê lucros, é preciso “enchê-lo” com alguma coisa. Daí o apelo à participação colectiva e à interacção social que estes sites da Web 2.0 fazem, porque para que o serviço cresça é preciso torná-lo um ambiente propício à formação de uma comunidade. É que todas as plataformas da Web 2.0 dependem do que os utilizadores colocam lá. É daí que geram valor.
Agora, não sou especialista em economia, mas tenho quase a certeza que os custos de alojamento em servidores Web e largura de banda que a manutenção destes serviços exige são infinitamente inferiores às somas astronómicas que os seus fundadores arrecadam em publicidade ou quando são engolidos por outras companhias de maiores dimensões.
Daí que posso concluir que há alguma coisa de muito errado por detrás do discurso de participação democrática da Web 2.0. Mas, mais tarde ou mais cedo, essas empresas vão ver que não se pode fazer pouco das suas comunidades.