A inutilidade das editoras discográficas e a morte da DRM

by Miguel Caetano on 10 de Novembro de 2006

“Big labels are f*cked, and DRM is dead”. Sem papas na língua. Peter Jenner, antigo empresário dos Pink Floyd e dos The Clash, entre muitos outros, e actual manager de Billy Bragg, denuncia numa entrevista ao The Register recheada de vocabulário refinado a incompetência e ganância das quatro grandes labels da indústria musical (EMI, Sony BMG, Universal e Warner Brothers). Jenner afirma que o sistema de preços da música digital é uma aldrabice porque o consumidor continua a pagar pelo fabrico e distribuição, o que já não tem razão de ser. Aqui em baixo deixo alguns excertos da entrevista.
Sobre a morte da Digital Rights Management (DRM, ou em português, Gestão de Direitos Digitais):

(…) And that was done by Sony BMG – what the fuck was that [rootkit DRM] about? The other was iTunes – and they’ve seen how kids don’t like it. The unitary payment doesn’t suit the technology, it doesn’t suit how they’re actually using downloads – which is to explore and move around. You don’t want to pay a dollar for each track when you want to explore music (…).

Sobre as quatro grandes editoras:

No one’s got any sympathy or love for them, because they’ve systematically been shoring up their figures in the short run – squeezing money into Universal to make up for their catastrophies; Warner Brothers have been coping with huge debt; EMI have been desperately trying to hold their stock price up so somebody would buy them; BMG has been wondering how the fuck they’re going to pay somebody back money for whatever it was, so they don’t go public – and Sony are in a terminal mess (…).

No final, de acordo com Jenner, serão os utilizadores, bem como as editoras independentes, os músicos e os compositores, que ficarão a ganhar. O empresário prevê que dentro de dois ou três anos muitos países terão uma licença global (“blanket licensing” – ver mais informação aqui) que permitirá o download e partilha ilimitada de música por apenas alguns euros mensais. Este é o mesmo esquema que, como já aqui referi antes, foi proposto na França – embora sem grande sucesso…

O modelo baseia-se parcialmente no esquema de royalties relativos à reprodução pública em que uma estação de rádio paga uma taxa fixa e o dinheiro é alocado aos artistas de acordo com o número de vezes que as suas canções passam no ar. Esta é uma solução bastante credível que podia ser aplicada aos ficheiros trocados em cada rede P2P. A grande dificuldade seria garantir a fiabilidade e invulnerabilidade dos sistemas de apuramento dos rankings.

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» Peter Jenner: direitos de autor têm futuro, mas precisam de reforma
29 de Junho de 2007 às 22:47

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1 Joao Martins 8 de Maio de 2007 às 22:49

Que grande colecção de disparates! Como é que alguém pode achar que “no fim…(todos) ficarão a ganhar” se não há nada para dividir?
Como é que alguém pode defender o blanket licence como uma coisa justa, ou defender que as rádios (o único meio de promoção eficaz que ainda resta…) paguem taxas aos músicos? Como é que se pode ser tão ignorante sobre estes assuntos? Claro que o DRM é uma tecnologia estúpida como tudo o que saiu das grandes editoras multinacionais e claro que ninguém tem pena que elas estejam a ir à falência. Mas como é que se pode pensar que existirá música sem uma “indústria”? Como é se pode ser tão estúpido e pensar que todos no futuro vão ser “bonzinhos” para com qualquer músico e vão todos repartir o dinheiro pelos músicos honestozinhos?

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2 Miguel Caetano 8 de Maio de 2007 às 23:16

Caro João:

Mas como é que se pode pensar que existirá música sem uma “indústria

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